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Um sonho chamado MAP

A arte representa uma das manifestações mais importantes da natureza humana. Nosso impulso inicial, mobilizador de tantos desejos e vontades foi um sonho, misto de intuição e consciência. O sonho de juntar num espaço público e democrático, aproximando, tornando possível o encontro das diversas narrativas plásticas que o povo cria espontaneamente como tradução de seus sentimentos.

A mola propulsora, a energia e o sentido orientador têm sido o contato próximo e convívio permanente com os artistas populares, numa relação de prazer e sonhos compartilhados. Para juntos construirmos um grande painel coletivo de arte, ritos, devoção e transcendência.

Desde o início, acreditamos que na expressão da capacidade de criar como forma de liberação residia o resgate da história de vida das pessoas e que assim conseguiríamos tirar da sombra
verdadeiras maravilhas da arte brasileira, modelando, escrevendo em letras maiúsculas e coloridas um manifesto, real e verdadeiro do país, e seu retrato.

Nesta inquietante proposta de buscar o novo preservando o essencial, descobrimos que não seria possível avançar sem uma dimensão política e antropológica. Na procura de caminhos ainda pouco transitados pela história oficial, nos deparamos com o encantamento de um Brasil real, um rico e multifacetado universo cheio de alegria transbordante e experimentações, onde as diversas manifestações criadas pelo povo sinalizam a necessidade de reconhecimento, muitas vezes negado, da plena expressão da liberdade humana.

Nos tornamos cúmplices e parceiros destes sonhos. Compreendemos que a poética de passagem para penetrar na alma do povo, reside na ideia e no imaginário da misturagem, no principio da mescla, e na alquimia da fusão de diferentes materiais. Fonte da qual os artistas e poetas retiram suas imagens belas e fantásticas, surgidas em diálogo constante com as realidades do cotidiano num continuo retorno com as tramas da memória individual, sempre impregnadas de uma forte
espiritualidade. Todo o processo de construção deste sonho foi se encaixando de forma natural e cristalina.

Visualizamos o MAP acontecendo no espaço que hoje ocupa, como se fosse uma grande caixa bordada onde a Arte se encontra, e as diferentes linguagens se abraçam, para expressar o Brasil e
presenteá-lo. Nesta atual sociedade de classes, absurda, injusta e fragmentada, surgem de um lado as inúmeras histórias de um povo que canta a vida, possibilitando a poesia e nos convidando,
por meio da arte, a descobrir outra forma de ver a vida, com mais beleza e plenitude. Do outro, um complexo emaranhado de labirintos, originados em projetos egoístas e conflituantes,
dependentes de favorecimentos que surgem e naufragam com a mesma velocidade com que nasceram.


No mundo contemporâneo, de valores profundamente conturbados, sabemos que tudo aquilo que tem valor e sentido deveria ir para um museu, como forma de preservar e servir de referência e espelho de uma época e suas circunstâncias.


E foi em Diadema, cidade pioneira em laboratórios sociais, que aconteceu, em 2007, a química certa entre o sonho e sua possibilidade de realização. Propondo diminuir os distanciamentos, fundindo os diferentes materiais, montando um rico e extenso quebra-cabeças onde as perenigrações do êxodo rural vão se encaixando com as necessidades da cidade grande e suas memórias.


O sonho de criar o MAP foi plenamente realizado. Em seus incisivos quatro anos de vida, contando com um acervo de 715 obras dos mais importantes artistas populares, transformou-se num ponto
de referência, prazer e encantamento que expõe a céu aberto e sol radiante o que o povo faz, nas formas e cores, pela construção de um país mais justo e fraterno.


Ricardo Amadasi Artista Plástico e Pesquisador de Arte Popular, Curador do MAP - Consultor de Arte Popular do SESC-SP
MAP - Um Bem Público

 

 

 

 

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